Não me pergunte o que sobrou. Não me peça para dizer o que fomos. Não me vasculhe em busca do que pode ter se perdido. Não me peça para lembrar o que esquecemos.
Às vezes a gente se agarra ao passado com tanta sofreguidão que acaba ficando amarelecido também. O cheiro das gavetas fica impregnado na pele e no olhar. Olhar para trás é envelhecer com o que não existe mais.
Peça-me para falar do que é perene, do que vem com o sereno de cada manhã e não se vai ao pôr-do-sol. Peça-me peças novas para uma história que nunca se completará - porque essa é a nossa natureza - e eu as lhe darei.
Deixe-me lhe oferecer um poema novo, um poente novo, um sentimento renovado. Deixe-me lhe oferecer a outra face ao toque. Mostre-me um novo jeito de caminhar sob a chuva.
E enquanto descobrimos os outros que somos, eu sei que todos os que fomos dançarão no riso que é só nosso.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Certa vez, li um poema seu que falava do desejo de um amor possível e imperfeito. Não sei se vc se lembra deste. Ele me foi mostrado por uma amiga que temos em comum: Carol Melo, de Resende Costa, minha amiga desde que me entendo por gente. Tb gosto de escrever, ainda que não alcance sua profundidade. Virei fã mesmo de suas palavras. Fiquei feliz em poder ler mais. Parabéns!!
Janete Helena, do blog "Impressões Cotidianas".
jaydiadia.blogspot.com
Postar um comentário