Não me pergunte o que sobrou. Não me peça para dizer o que fomos. Não me vasculhe em busca do que pode ter se perdido. Não me peça para lembrar o que esquecemos.
Às vezes a gente se agarra ao passado com tanta sofreguidão que acaba ficando amarelecido também. O cheiro das gavetas fica impregnado na pele e no olhar. Olhar para trás é envelhecer com o que não existe mais.
Peça-me para falar do que é perene, do que vem com o sereno de cada manhã e não se vai ao pôr-do-sol. Peça-me peças novas para uma história que nunca se completará - porque essa é a nossa natureza - e eu as lhe darei.
Deixe-me lhe oferecer um poema novo, um poente novo, um sentimento renovado. Deixe-me lhe oferecer a outra face ao toque. Mostre-me um novo jeito de caminhar sob a chuva.
E enquanto descobrimos os outros que somos, eu sei que todos os que fomos dançarão no riso que é só nosso.
domingo, 21 de dezembro de 2008
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