Os cabelos lisos caídos sobre os óculos meio tortos e uma expressão de jogador inveterado. A camiseta por baixo da camisa aberta não deixava vestígio da tensão que untava seu corpo magro. Outra noite. Outro bar.
Pediu a habitual dose de whisky. Sentou-se num canto, à espreita. Ela viria, com toda certeza. Todas elas sempre apareciam.
A espera era parte do ritual. Sempre chegava cedo para sentir a expectativa corroendo suas entranhas. A incerteza do encontro era um estimulante poderoso. Mas elas sempre vinham. Que mulher resistiria a um perfil tão bem construído?
Finalmente ouviu o som dos saltos altos cortando a fumaça dos cigarros. Alta, loira, corpo esculpido sob um vestido vermelho bem cortado. Ainda mais bonita do que havia prometido. Sentou-se junto ao balcão. Pediu uma bebida qualquer enquanto os olhos vívidos vasculhavam o lugar à procura dele.
Outra dose de whisky. Era quase insuportável imaginar aquele corpo em suas mãos. Tocou de leve a ereção dolorida. Ela olhava para o relógio a todo instante. Conferia o telefone celular freneticamente. Ele poderia simplesmente ir até lá e tomá-la feito um bicho, feito um troféu de caça. Mas o anonimato era absurdamente entorpecente. Não era nem de longe parecido com o rapaz a quem ela esperava se entregar.
À beira de um colapso, tomou mais uma dose de uma só vez. Pagou a conta. Passou pela moça, esbarrando em seu braço.
Trancou-se no quarto. Ligou o computador. Suspirou, aliviado. Lá estavam elas, todas elas, loucas por ele. Acessíveis e incansáveis. Prontas para mais uma rodada de sexo virtual e encontros que jamais acontecerão.
sábado, 15 de novembro de 2008
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