Domingo de manhã. Acordei cedo demais, com aquela sensação de que deveria dormir um pouco mais. Mas quando vi você adormecido ao meu lado, percebi que havia despertado na hora perfeita. Sua respiração calma, morna, ao encontro da minha pele; a desordem dos seus cabelos negros sobre a calma dos travesseiros; seu corpo forte e indefeso sob a minha fascinação – poderia eu desejar estar dormindo ante tão perfeita cena? Foi então que me dei conta do que é amar.
Quando a gente gosta de alguém, é fácil passear de mãos dadas por aí, ir a restaurantes badalados com os amigos, jantar com outros casais, esbanjar sorrisos e roubar um beijo antes de fechar o portão. É tão fácil amar socialmente! Difícil é se abrir por inteiro e adentrar o outro.
Amar não é simplesmente dividir seu corpo com alguém. O amor é a intimidade além da nudez. Amar é perder o medo de dividir a cama, o sono, os sonhos, o ressonar. É não ter que ir embora depois do gozo. É não ter a obrigação do gozo. É não ter que sair sorrateiramente pela manhã.
Acordar ao seu lado me trouxe a certeza de que não somos apenas dois corpos repartidos. Foi assim, silenciosamente, que você me fez o melhor de todos os elogios.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
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2 comentários:
Vc é capaz de expressar em palavras o que temos dentro do nosso íntimo.
Raramente tenho visto um texto tão belo e tão vivo.
Poesia pura.
Queremos mais!
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